‎”Vou criar agora, um mundo só meu, onde as flores tenham cores e odores, agradáveis e suaves. Vou criar agora, um mundo só meu, onde as pessoas são dóceis. Um mundo, onde o amor seja a coisa mais importante. Onde nada precisa fazer sentido, apenas ser sentido. Um mundo com céu azul, e mar azul. Onde as matas sejam verdes e puras. Onde as pessoas tenham amor no coração. Um mundo só meu, na minha cabeça. Sem mentiras, sem maldades. Meu mundo, de cores, luzes, formas, cheiros, sentidos… Minha imaginação é algo que ninguém pode me tirar.
Paola Fraga-28 de maio
Eu sei que vou sofrer, a eterna desventura de viver, a espera de viver ao lado teu, por toda a minha vida.
Por toda a minha vida…
Postcards from Italy

Quero poder te amar, cegamente. Sentir teu corpo no meu, com o som da chuva na janela. Te fazer rir das minhas tolices, e chorar contigo por tanto amor que não cabe aqui dentro. Quero teu suor no meu cabelo, tuas mãos na minha bunda. Teus lábios indecisos entre os meus lábios e meus seios. Te cantar cantigas e acariciar teu rosto em manhãs de domingo… Passar o dia a te esperar, e as noites a te amar.

Risos.
Risos vindos do porão. Como podem rir, se a dor os consome pela carne que arde ao fogo? Riem de desgraça;Riem de desespero; Riem, porque lágrimas de nada adiantariam, evaporando e sendo sempre insuficientes para apagar esse fogo. A alegria do circo, é ver o palhaço pegando fogo. -paolafraga
É como chorar pelo leite derramado e não lembrar que se pode encher o jarro novamente.
Poesia Matemática

Às folhas tantas 
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia 
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide, 
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida 
paralela à dela
até que se encontraram 
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação 
traçando 
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. 
E enfim resolveram se casar
constituir um lar, 
mais que um lar, 
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade 
integral e diferencial. 
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes 
até aquele dia 
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu 
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos. 
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade. 
Era o triângulo, 
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração, 
a mais ordinária. 
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser 
moralidade
como aliás em qualquer 
sociedade.


Millôr Fernandes

El Dorado

Gentil, faceiro,
um cavaleiro,
sob sol e sombreado,
seguiu avante,
cantarolante,
em busca do Eldorado.

Mas o andarilho
ficou tão velho,
no âmago assombrado,
por não achar
nenhum lugar
assim como Eldorado.

E, enfim diante
de sombra errante,
parou, quando esgotado
e arguiu-lhe “onde,
sombra, se esconde
a terra de Eldorado?”


“Sobre as montanhas
da lua e entranhas
do Vale Mal-Assombrado,
vá com coragem,”
disse a miragem,
“se procuras o Eldorado”.

Edgar Allan Poe 

Rosa

És rosa - isso diz tudo…

Se a rosa tem espinhos, 

Meus olhos olhos de veludo, 

tu tens espinhos, flor…

Tens límpidos carinhos

Mas tens também espinhos

Que ferem todo o amor.

Teus límpidos carinhos, 

Meus olhos de veludo, 

Mas tens também espinhos…

És rosa - isso diz tudo.

Isso diz tudo - és rosa…

Colhida na roseira

Da vida perfumosa

E seja como for,

De tal ou qual maneira

Que colham-te à roseira

Darás prazer e dor!…

De tal e qual maneira, 

Da vida perfumosa, 

Serás como a roseira…

Isso diz tudo - és rosa!

Cruz e Sousa-1884